Afastamento da rotina diária: (de novembro de 2017 até agosto de 2018), tive um coágulo no cérebro (fui operado), estou em processo de recuperação sob a supervisão de um médico neurologista.
Na sexta feira, 20/10/2017, instalei o kit para Tv Digital na minha TV. A noite vi o último capítulo da novela "A Força do Querer"
Foi muito bom ver a "Bibi" (Juliana Paes), a "Geiza" (Paola de Oliveira), a "Ritinha" (Isis Valverde). Em imagem digital (sem fantasmas, sem chuvisco, ...).
O melhor de tudo é que consegui instalar a antena UHF, o codificador digital, sintonizar os canais. A imagem ficou um espetáculo. A Juju, a Paola, A sereia (Isis Valverde) ficaram com qualidade de filme de hollywood.
Agora meu lazer ficou com uma qualidade de primeiro mundo.
Em (23/10/17) - vi o filme "Missão Impossível".
Em junho de 2002, soube do meu diagnóstico, de Transtorno Bipolar de Humor (TBH).
Fiquei arrasado quando soube que era uma doença incurável. (Só tinha controle). Depois descobri que esse "controle" era relativo.
Achei que estava acabado. Eu não tinha a menor ideia de como faria para lidar com essa nova e limitada realidade. (Como lidar com isso ) ?
Eu tinha muitos altos e baixos. Um passo para frente, com quatro para trás. Era muito diferente de tudo que vivi até então. Isso me assustava muito.
Durante alguns anos eu afundei e não percebi o que fazer para reverter esta situação.
As coisas começaram a melhorar a partir de agosto de 2004, quando comecei a partcipar das atividades da Organização Brahma Kumaris. Fundada na Índia em 1937.
Participei de cursos rápidos sobre: Meditação Raja Yoga, pensar positivamente, conquistando a auto-estima, mestre do tempo e vencendo o stress.
No tratamento médico, abri uma nova fase, a partir de julho de 2005, quando comecei o tratamento no Ipub da Ufrj.
Minhas crises ao longo do tratamento
1) Desde 2002, até o início de 2005 eu me tratava com uma psiquiatra particular. Fui gastando a minha reserva até acabar. Como não estava sentindo melhoras nos sintomas e a minha reserva acabou, fiquei muito desanimado e parei de tomar os remédios.
Fiquei depressivo, permanecia deitado olhando para o teto, sem tomar banho, escovar os dentes, ouvir música, ver TV, ... (Esta foi a primeira crise).
2) Em julho de 2005, comecei a me tratar no Ipub. A medicação começou a fazer efeito. Achei que estava curado. Interrompi o uso dos remédios e entrei na segunda crise.
3) Em 2007 achei que estava curado e abandonei a medicação. Entrei na terceira crise.
Apesar de ser muito teimoso, percebi que a doença parecia não ter cura. (Eu acredito que a cura será descoberta. Torço para ainda estar vivo quando isso ocorrer).
Em 2009 participei de terapia de grupo no Cipe Antigo do Ipub da Ufrj.
O grupo era formado por bipolares. O que gerava uma ótima sensação (de um grupo unido por características semelhantes).
O mediador era um psicólogo experiente. Foi bom porque todos os membros traziam seus temas e todos eram contemplados. Eu gostava muito.
Infelizmente o grupo acabou porque o Psicólogo terminou o mestrado e foi seguir o caminho dele.
Em março de 2010, iniciei a terapia individual na Dpa da Ufrj.
Em 2013 participei de "Rodas de Conversas Terapêuticas". Era uma espécie de terapia de grupo. Obedecia algumas regras e
era muito interessante, quando o meu tema era escolhido.
Participei algumas vezes.
Não concordei com a regra em que cada participante poderia trazer um tema individual. Havia uma votação e só o tema mais votado era desenvolvido. Os outros temas eram descartados
. Algumas vezes eu precisava de ajuda e meu tema era descartado. Eu me sentia rejeitado. (Na terapia de grupo todos os temas trazidos pelos participantes, são válidos e sempre há um feedback para cada participante).
Em 2013, conheci a "Casa de Convivência Padre Velloso" (em Botafogo). Após entrevistas com a Assistente Social e a Psicóloga fui autorizado a fazer atividades variadas. (Tai chi chuan, oficinas de dança moderna, espaço para cantar o que desejasse, ...). Foi uma época em que eu estava muito isolado e sem fazer atividades saudáveis.
Última crise
Em setembro de 2014, estava tomando um antidepressivo há alguns anos. Me trato no Cipe Antigo do Ipub, onde participo de pesquisas. Minha médica da época, me aplicava questionários (chamados de escalas). Ao fim de cada escala, ela dizia que eu estava um pouco "acelerado". Eu achava que estava "normal".
Ela decidiu trocar a minha medicação de maneira radical. Cortou o antidepressivo e colocou algumas outras medicações. Fiquei andando como um robô. Perdi a minha noção espacial.
Na época eu morava em um quarto em Copacabana. Não tinha dinheiro para pagar ônibus. Vinha a pé de Copacabana até o Ipub, ou até a Casa de Convivência Padre Velloso. Passava pelo túnel Novo, me arriscava a cair na via e ser atropelado. (Como muitas vezes eu estava depressivo, a conclusão poderia ser uma tentativa de suicídio (o que não era o caso). (Era um efeito colateral da nova medicação).
Esta foi uma crise gerada pela nova medicação.
Conclusão sobre minhas 4 crises:
A) Abandonar a medicação leva à crise.
B) Alterar a medicação também pode levar à crise. (Sugestão: o psiquiatra , quando necessário, deve mudar os remédios aos poucos e sempre interagir com o paciente). Muita calma nesta hora.
C) É fundamental haver uma forte parceria entre o médico(a) e o(a) paciente.
D) Como minhas crises mais intensas são depressivas, fico deitado, olhando para o teto, não fico agressivo, não quebro a casa toda e não sou internado.
Obs.: 1) Não internar é uma opção arriscada pois alguns pacientes se suicidam em crises depressivas intensas.
2) Meu médico atual (Outubro de 2017) informou que qualquer ser humano pode ter depressão. (Eu acreditava que a depressão só ocorria para os diagnósticos de "Transtorno Bipolar de Humor" e "Depressão").
Ele falou que alguns casos tem cura. (Mas o meu caso não tem cura).
Em setembro de 2016 comecei a frequentar o Hospital Dia do Ipub da Ufrj.
Em novembro de 2016 ingressei no grupo "A voz dos usuários".
Em junho de 2017 conheci e, comecei a frequentar, um local de estudos, convivência e prática de novos conhecimentos.
O Saldo positivo disso tudo é:
1) Fiz cursos importantes na Organização Brahma Kumaris.
2) Recebi auxílio da terapia de grupo no Cipe Antigo do Ipub.
3) Tive um saldo positivo com as "Rodas de Conversas Terapêuticas", nas vezes em que o meu tema foi escolhido.
4) Participei de atividades diversas na "Casa de Convivência Padre Velloso". Foi importante para romper o meu isolamento social.
5) Conheci (no Cipe Antigo do Ipub) uma médica e dois médicos que deixaram um valioso legado para mim.
6) Me identifiquei com uma terapeuta da Dpa (que já se formou em psicologia pela Ufrj).
Ela conversou algumas vezes com o meu filho e com a minha irmã. Nós melhoramos nosso relacionamento.
Acredito que agora eles compreendem melhor o que ocorre comigo.
Ela criou um hábito e uma oportunidade, para meus familiares conversarem com as terapeutas da Dpa que a sucederam. Foi ótimo para nós (familiares e paciente).
7) Frequentei/frequento oficinas do Hospital Dia do Ipub: Escrita, Palavrear, Musicoterapia, Cine Pipoca, Acompanhamento do Grupo, Reuniões da Voz dos usuários, Informática da Voz dos Usuários, Somos Um.
8) Minha irmã frequenta reuniões mensais no Hospital Dia do Ipub. Ela aprende como os cuidadores se relacionam com seus familiares (doentes mentais) que frequentam o Hospital Dia.
9)
O Grupo "A Voz dos Usuários" possui (site, vídeos). Alguns usuários possuem Blog's. O objetivo é transmitir a experiência vivida no tratamento da doença mental.
O grupo promove rodas de conversa para estudantes universitários e profissionais da área de saúde mental.
Roda de Conversa em Seropédica (Universidade Rural)
Dia 04/10/2017 (4ªFeira)
Temas abordados:
- Como foi descoberta a doença (cada usuário narrou a sua história) (Este tema foi proposto pela professora Débora).
- Relações: 1) Paciente X Terapeuta, 2) Paciente X Médica(o), 3) Paciente X Familiares, 4) Paciente X Outros Pacientes.
- Hospital Dia X Reunião com os familiares dos pacientes. (Familiares informam como estão lidando com os pacientes. Troca de experiências. (Tipo ALANON)).
- Violências: 1) Sofridas pelos pacientes que foram internados. 2) Praticadas pelo paciente em momento de surto.
- Sexualidade X Alguns remédios prescritos. No meu caso fiquei totalmente apático. Conversei com a médica e a convenci trocar a medicação que possuia este efeito colateral.
Obs.: Para outros detalhes veja o texto postado "Roda de Conversa em Seropédica (Universidade Rural - 4/10/2017 (4a feira))".
Com frequência visitamos outras instituições (Fiocruz, Uff de Rio das Ostras, ...).
10) Pesquisei na internet e encontrei um local (próximo à minha casa) muito interessante. Frequento lá desde junho de 2017. Já tenho notado uma melhora na minha qualidade de vida e também na minha saúde mental. (Esta parte do texto foi redigida em setembro de 2017). Mais vezes tenho acordado animado, bem disposto.
A minha disposição (ao acordar) aumentou muito e não me lembro de acordar arrasado (como várias vezes ocorria antes).
11)
Meu filho e eu (estamos participando de "nossas Happy Hours"). Temos conversado pessoalmente com frequência.
Meu filho está tendo a oportunidade de conhecer um novo Milton (edição revista, ampliada e atualizada) !
Estou feliz com esse contato de "olho no olho" com o meu filho. Quero que ele me conheça e também quero aprender sobre ele, compreendê-lo.
Estou contente com essa nova etapa da minha Vida.
Agora estou dando mais passos para frente, do que passos para trás.
Conclusão:
O Transtorno Bipolar de Humor (TBH) me permitiu me conhecer melhor e participar de novos desafios que geraram um crescimento pessoal e um melhor equilíbrio emocional. Acredito que me fortaleci ao longo destes anos (desde 2004).
Apesar das dificuldades, percebo mudanças positivas, e, aos poucos, estou me superando e lidando melhor com este transtorno. (TBH).
Agradeço a todas as pessoas que convivem/conviveram comigo: (médicos, terapeutas, pacientes do Ipub, equipe do Hospital Dia, pacientes da Dpa, pessoas "normais", ...).
Cada uma destas pessoas contribuiu, de alguma forma, para o meu fortalecimento/progresso/upgrade!
Muito Obrigado a todos !