terça-feira, 25 de abril de 2017

Apesar da Depressão (Setembro de 2018)

Apesar das nuvens, o sol prevalece.

Apesar das rochas, o mar envolve-as e (aos poucos) dissolve-as.

As nuvens (Yin) são os estados depressivos.

O sol (Yang) é a energia criadora da vida.

As rochas (Yang) simbolizam as dificuldades, os nossos desafios.

O mar (Yin) é: o talento, a resiliência, a flexibilidade, a superação, a vitória.

Apesar das nuvens, das rochas, dos espinhos, dos transtornos, dos desafios, das dificuldades, sei que não estou sozinho. Sei que posso contar com a ajuda dos integrantes do Hospital Dia, da estrutura da Dpa (Divisão de Psicologia Aplicada da Ufrj), do auxílio psiquiátrico do Cipe Antigo (Centro de Pesquisas do Ipub).

Sei que posso contar com a ajuda do meu filho, da minha irmã, da mãe do meu filho.

Sei também que o protagonista desta caminhada sou eu. Sei que cada passo é dado por mim, através das minhas escolhas e da minha iniciativa, do meu esforço, da minha perseverança, da minha garra, caindo, levantando (mesmo que demore um pouco) e investindo todo o meu ser nesta odisséia.

Só por hoje, o sol prevalece.

A minha jornada prossegue apesar de, para a minha doença, ainda,  não ter sido encontrada a cura.

Enquanto a cura não chega, sigo lutando por um futuro mais saudável.

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Relação com familiares após a minha cirurgia no cérebro (setembro de 2018)

Ajuda muito quando os familiares se interessam por mim.
Quando  tem a iniciativa de encontrar, pessoalmente, comigo.

Quando ouvem com atenção e agem como parceiros, como amigos.

Quando me permitem conversar, atualizar os perfis deles, deixar eles atualizarem o meu perfil.

O distanciamento da família era um fato que aumentava o meu sofrimento.
Fico sem saber se posso ou não contar com aquele familiar.

A partir de novembro de 2017 (quando ocorreu o coágulo no meu cérebro) existiu um estreitamento das minhas relações com minha irmã, meu filho e a mãe do meu filho.

Alguns familiares se colocam, (com suas atitudes), numa posição definida como ausência total de interesse. E,em geral, não conto mais com eles.

A procura por uma vida mental saudável me leva a buscar apoio na equipe que participa no meu tratamento. (Psiquiatra, psicóloga, participantes do Hospital Dia do Ipub (equipe e pacientes)).

De qualquer modo, as relações familiares são insubstituíveis. Quando não ocorrem deixam uma enorme lacuna.

Uma relação familiar faz toda a diferença para a minha saúde mental.

É muito bom saber que sou aceito, apesar das minhas limitações, dos meus desafios. É ótimo perceber que, apesar das minhas quedas, (e elas são muitas), existem pessoas que me apoiam, que me inspiram, que me acolhem, que também estão comprometidas a lidar com meu transtorno.

É animador perceber que (apesar das tempestades em alto mar) existe um porto seguro a me esperar, sem juízo de valor.

É maravilhoso ter um espaço para compartilhar minhas experiências, minhas ideias, meus sonhos.

Me sinto humano, (não um número de prontuário). Me sinto útil.

Escrever para mim, é como voar para uma águia.

Nasci para isso, posso ver lindas paisagens, posso voar muito alto, mas também posso me comunicar.

Apesar dos desafios, sobrevivi a alguns dias muito difíceis.

E, sempre que puder, narrarei as minhas experiências.

Valorizo muito os meus blogs e a minha participação nas rodas de usuários. É ótimo, após a roda, verificar a alegria e gratidão do público.

Fico feliz por constatar que meu sofrimento pode ser útil. É uma experiência ímpar ser membro do grupo "A voz dos Usuários".

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Definição de transtorno mental p/ mim (Setembro de 2018)

É uma alteração do funcionamento da mente. 

Prejudica o meu desempenho nos relacionamentos (familiar, social, no trabalho, nos estudos), na minha compreensão e em ralação aos outros, na possibilidade de autocrítica, na tolerância aos problemas e na possibilidade de ter prazer na vida real.

Causa sofrimento e incapacidade. A incapacidade pode ser minimizada através do descrito mais adiante.

Apesar das pesquisas, o transtorno bipolar de humor ainda não tem cura.

Para mim é muito importante o apoio da Ufrj (consultas psiquiátricas, remédios gratuitos (uma parte), terapias, oficina de informática, acesso gratuito à internet, interação com as equipes da Ufrj, tratamento ocupacional (no Hospital Dia do Ipub, minha família atual)).

Atualmente venho à Ufrj duas vezes por semana. Está surgindo a possibilidade de vir três vezes por semana.

Me sinto útil nas atividades. Me sinto bem no ambiente da Ufrj. Aqui existem pessoas aprendendo, outras ensinando, algumas aprendendo e ensinando (trocando). 

Aqui existem pessoas generosas, bondosas, confiáveis, líderes, algumas são inspiradoras, outras são um bálsamo, todas me ensinam alguma coisa.

Gostaria muito poder vir à Ufrj de 2a a 6a. Mas constato que seria muito cansativo. Acredito que 3 X é o suficiente para mim.

Às vezes assisto, como ouvinte, aulas com temas de meu interesse. É uma forma de aumentar o meu conhecimento e obter informações sobre a minha doença/transtorno.

Também gosto de ser voluntário p/ pesquisas. Já participei de algumas. Fico feliz em ser útil.

Rodas de Conversa de abril de 2017

1) Fio Cruz (17/4/17 - 2a Feira)

Público alvo: Professora Renata, graduados em (psicologia, odontologia, enfermagem, terapia ocupacional, assistência social, educação física). Estão se habilitando para trabalhar com Clínica da Família).

Equipe da Voz dos Usuários com 10 participantes, e o apoio do Fernando (psicólogo) e da Gabi (estagiária de psicologia da Ufrj).

Tempo aproximado de 2 horas.

Achei o grupo muito interessado, e ao final, muito agradecido. 

Fiquei feliz por ser útil aos profissionais da área da saúde.

2) Ipub (18/4/17 - 3a Feira)

Público alvo: Professora Jaqueline, Talita e estudantes do 7° período de enfermagem.

Equipe da Voz dos Usuários com 10 participantes, e o apoio da Gabi e Marina (estagiárias de psicologia da Ufrj).

O tempo de aproximadamente 1 hora restringiu a quantidade de temas abordados.

Achei o grupo interessado.

3) Ipub (24/04/17 - 2a Feira)

Público alvo: Alunas de psicologia (matéria psicopatologia), a maioria do sétimo período.

Equipe da Voz dos Usuários com 9 participantes, com o apoio do Fernando (psicólogo de apoio) e Marina (estagiária de psicologia).

Foram abordados 8 temas.

Tempo aproximado de 2 horas.

Atividades que gosto (Setembro de 2018)

Adoro ir ao cinema, ouvir música, navegar na internet, ler (jornais, revistas, livros, manual do usuário, blog), escrever textos (sobre temas que quero compartilhar).

Criei 2 blogs (a princípio para 2 públicos distintos).

Também gosto muito de andar de bicicleta, de caminhar, de nadar (às vezes), de uma comida saborosa (principalmente as vetadas pela minha nutricionista. (Já negociei com ela)).

Gosto muito de viajar. (Eu viajava muito a trabalho. Conheci várias cidades interessantes, e o melhor de tudo é que eu era pago para fazer isso).

Pude contemplar, meditar e aproveitar a natureza, Observar a arquitetura, alguns pontos turísticos. Acompanhar/aprender novos hábitos, novas expressões, novos sotaques, novas palavras, outras visões, outros paladares.

Senti o cheiro das florestas, dos pinheiros, da terra do campo molhada. Vi plantações de soja, de milho, de cana de açúcar.

Constatei como é feita a criação de gado holandês.

Senti frio em Curitiba e em Foz do Iguaçu. 

Foram momentos mágicos, inesquecíveis.

Fico muito feliz por ter vivenciado tudo isso e por ter contribuído, ainda que um pouco, para uma melhor qualidade de vida das pessoas.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Filme "Um estranho no ninho" (Tratamento mental na década de 1970)

Lançado em 28/05/1978.

Este filme mostra como eram tratados os doentes mentais na década de 1970. Os pacientes eram intimidados através de práticas covardes. Havia uma distinção entre seres humanos (A equipe de saúde) e os pacientes (a escória da sociedade).
Os pacientes sofriam maus-tratos e eram anulados (para não dar trabalho).

Randle Patrick Mc Murphy (Jack Nicholson), um prisioneiro que simula estar insano para não trabalhar vai para uma instituição para doentes mentais.

A equipe intimida/amedronta/manipula os pacientes com: jogos psicológicos, eletro-choque, e lobotomia.

A enfermeira chefe, Ratched (Louise Fletcher), através de tortura psicológica, induz um paciente ao suicídio.

O "Chefe" é um índio muito alto, muito forte, que se fazia de surdo. Era muito inteligente. Era saudável e estava ali para morar e comer de graça.

Ao perceber que Randle tinha sofrido uma lobotomia e não conseguia perceber/interpretar a realidade externa. O "Chefe" o asfixia até a morte, arranca um bebedouro do chão, jogá-o contra a janela e foge da clínica.

Após o "tratamento", os pacientes ficavam dóceis. Eram incentivados a se anular, a não questionar, a não pensar, a não ter vontade própria, a não incomodar.

Os pacientes tinham pavor da equipe de "cuidadores".

Os pacientes eram tratados como seres inferiores.

Não vi oficinas para os pacientes ocuparem o tempo de maneira produtiva e aprenderem/desenvolverem novas habilidades.

Foi um dos melhores filmes que já vi.

A experiência no uso da medicação

1) Em 3 oportunidades, no passado, tomei a medicação por algum tempo. Me senti estável. Estava bem. Acreditei que estava "curado". Interrompi o uso e, em algum tempo, entrei em crise depressiva. A última vez foi em 2007. A partir dali passei a tomar o Lítio.

2) Em 2014, estava tomando um antidepressivo (Bupropiona) por algum tempo. A equipe médica trocou esta medicação por outras medicações que não me recordo. Perdi a noção de distâncias, de profundidade. Caminhava muito lentamente, "no piloto automático", falava arrastado, praticamente não raciocinava. Virei uma sombra do que eu era.

Para a minha sorte, a minha terapeuta da Dpa, entrou em contato com a minha equipe médica e narrou a minha mudança.

A medicação foi modificada e, aos poucos, retornei ao meu estado normal.

Esta foi uma crise gerada pela medicação inadequada.

3) Em outra ocasião me prescreveram Respiridona. Fiquei sem nenhum interesse pelas mulheres. Narrei o ocorrido para a Médica. Ela argumentou que era melhor perder o interesse sexual e melhorar no tratamento. Falei p/ ela que já possuía um doença incurável e ainda ficar brocha, não dava pra aceitar. Ela escolheu outro remédio e a situação foi resolvida.

Conclusão

A medicação deve ser modificada aos poucos. É muito importante haver uma forte parceria entre o médico e o paciente.

É desejável existir um diálogo entre a equipe médica, a terapeuta/psicóloga e o paciente.

É um processo em andamento, com transformações constantes.

É fundamental ir com muita calma em todas as horas.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Meus sonhos (Setembro de 2018)

Moro sozinho. 

Sonhos:

 1) Publicar um livro com os textos deste blog.

2) Descobrir e exercer uma atividade remunerada que permita honrar os meus compromissos (água, gás, luz, condomínio, IPTU,...) e sobre o suficiente para uma poupança robusta.
Conseguir uma ocupação, com horário flexível, compatível com o meu talento, e possa trabalhar na minha casa.

3) Manter uma rede de relacionamentos saudáveis.

4) Conhecer e namorar uma mulher que tenha ideias compatíveis com as minhas. Para convivermos muito tempo.

5) Permanecer lúcido e indepentente até o último segundo da minha vida.

6) Manter contato com o que restou da minha família.

7) Viver feliz, animado e resiliente.

8) Sonho criar um forte elo com meu filho e com a minha irmã. Já estamos transformando em realidade através do WhatsApp e saindo para comer fora.

9) Sonho conversar com cada um (pessoalmente), pelo menos uma vez por mês. Atualmente nos comunicamos via WhatsApp a maior parte do tempo (+ de 90 %).

10) Sonho conseguir construir pontes (entre nós (meu filho e minha irmã)). Pontes fortes, resistentes, imunes ao desgaste do tempo.

11) Sonho com a cura para o transtorno bipolar de humor. Mas se não ocorrer sonho lutar para ser feliz até o último instante da minha vida. Sonho em ser perseverante, combativo, forte, íntegro, vencedor da guerra para obter a minha saúde mental !

12) Sonho em ser independente o resto da minha vida.

13) Sonho que meu filho me dê netos.

14) Ver ótimos filmes, conhecer muitas pessoas interessantes e interessadas, ler (no mínimo) bons livros, ver o meu time ser campeão do mundo (de novo).

15) Poder construir um País melhor, mais (solidário, honesto, digno, eficiente, eficaz, generoso, limpo, competente, saudável, confiável, sério (mas não muito) ...).

16) Receber sugestões de temas do público alvo. (Área da saúde, pacientes, impacientes, familiares, agregados, outros).


Crise depressiva (Pergunta e Respostas Setembro de 2018)

É possível evitá-la ?

A) Ás vezes consigo quando a tristeza está no início.

B) Quando a tristeza atinge um certo ponto não consigo, mas é possível atenuá-la como descrito a seguir:

1) Conversando com o médico psiquiatra (talvez alterando a medicação),

2) Caminhando,

3) Conversando com a terapeuta/psicóloga,

4) Preenchendo o tempo com atividades agradáveis, úteis, frequentando oficinas, ouvindo música, andando de bicicleta, escrevendo, postando textos no blog, indo ao cinema, ...

5) Evitando que o episódio depressivo tome conta da situação.
É importante saber que: 

A) A medicação contra a depressão leva um tempo para iniciar a fazer efeito,

B) O Transtorno Bipolar de Humor é cíclico, ou seja, os episódios depressivos fazem parte da vida do paciente.

C) Mesmo tomando a medicação, fazendo terapia, frequentando as oficinas, praticando atividades agradáveis, podem ocorrer episódios depressivos. 


O Transtorno é uma caixinha de surpresa (em geral pouco agradáveis) !



Para mim um ótimo Médico psiquiatra é: (setembro de 2018)

É assíduo, pontual, confiável, amigo. Tem boa vontade.

É assertivo, inteligente, acolhedor, paciente.

Ouve o que tenho p/ dizer.

É extrovertido, tem bom humor.

Ouve com atenção o paciente, tira as dúvidas.

Tem tempo suficiente para a consulta. Trata o paciente de igual para igual. É humano.

Quando necessário age como clínico geral, (prescrevendo a medicação gratuita e acompanhando a evolução do tratamento).

Explica porque cada medicação é usada.

Olha nos olhos do paciente.

Ou seja, é um médico de verdade !

Pode parecer utópico, mas conheço um com estas características/qualidades.

Que Deus o abençoe e mantenha-o assim.

Refletindo sobre o que é ser um psicólogo (01/09/2018)

Fiquei fora do Hospital Dia/Ipub/Dpa (de novembro de 2017 até julho da 2018. (Estava me recuperando de uma cirurgia no cérebro)).

Senti muita falta da minha terapeuta da Dpa. Minha terapia foi interrompida durante nove meses.

Abaixo descrevo características que um psicólogo deve ter. (Não tem nada a ver com a  parte acadêmica de um aluno de psicologia).

Um bom psicólogo(a) é confiável, observador, inteligente, compassivo, generoso, bondoso, paciente, pontual, assíduo, assertivo, imparcial, pró-ativo, improvisador, flexível, líder, honesto, sincero.

Um bom psicólogo(a): gosta de pessoas, aceita-as como elas são. ( Mas não abre mão de torná-las melhores).

Possui brilho próprio, ilumina o caminho dos que convivem com ele(a).

É um oásis, uma esperança, um sopro de vida, uma benção.

Cada um pode ser um psicólogo(a).

E você ?

Você é um psicólogo(a) ?

Obs.:Um bom psicólogo(a) é um bom ouvinte, é gentil. Faz a diferença na vida dos que convivem com ele(a).

É discreto, tem bom humor, é acolhedor, afetuoso, emotivo, racional tem carisma. É justo, humano, é um presente.

E você ?

Você é um psicólogo(a) ?

Versatilidade do profissional: outras funções de apoio ao paciente.

A) Estagiárias de psicologia da Ufrj nos ensinam, com boa vontade e paciência, assuntos de informática (na Voz dos Usuários).

Elas me ajudaram a:

1) Criar um e-mail,

2) Criar conta no facebook (solicitar amizade, abrir conversação privativa (In Box), procurar amigos, escrever na linha do tempo de um(a) amigo(a), ...),

3) Criar um Blog (criar texto, publicar,visualizar texto, editar um texto publicado, atualizar texto editado, ...).

4) Entrar no site "A voz dos usuários", ouvir/ver vídeos dos usuários, vídeos do You tube.

5) Ouvir músicas na internet,

6) Instalar WhatsApp no meu smartphone.

A cada oficina de informática aprendo um pouco com elas.

B) Médico psiquiatra.

1) Agir como médico clínico geral, (prescrevendo a medicação, acompanhando a evolução do tratamento) e quando possível, fornecendo a medicação prescrita e não disponível na farmácia do Ipub.

C) Musicoterapeuta. 

Ouvir relato da dificuldade do paciente e se mobilizar/comprometer a encontrar uma solução.
Usa a música  para ativar emoções de eventos importantes, marcantes, para os pacientes.

D) Nutricionista.

Acompanha e mede o diâmetro abdominal, o peso, o meu colesterol, triglicerídeos, glicose, sódio, HDL, ...


terça-feira, 11 de abril de 2017

A sociedade contribui para o aparecimento do transtorno mental ?

No meu caso sim.

Na época eu não sabia, mas já possuía a carga genética para o transtorno mental. (meu tio materno, desconfio, era bipolar).

Por volta de 2002, eu fiscalizava obras e trabalhava durante o dia, algumas vezes de madrugada, e também nos finais de semana. Eu dormia poucas horas por noite. Eu achava que daria conta de toda aquela carga horária.

Não dei conta. Acho que desmaiei em Salvador (de repente tudo escureceu). Fiquei depressivo.

Com muita dificuldade consegui voltar para o Rio de Janeiro.

Fui ao médico clínico geral da minha confiança, narrei o que aconteceu e ele me pediu para procurar um psiquiatra.

A médica psiquiatra ficou um tempo na dúvida se eu tinha apenas uma depressão ou se eu possuía o transtorno bipolar de humor.

Após algum tempo ela optou pelo transtorno bipolar de humor.

Na época eu não conhecia o Ipub. (Eu não acreditava que existia um local bom e gratuito).

Eu estava completamente equivocado.

Assim como a sociedade contribuiu para a manifestação da minha doença (carga horária excessiva de trabalho, com consequente poucas horas de sono).

A sociedade contribui para o tratamento da minha doença. (Ufrj (Ipub - Cipe antigo, Hospital Dia, Dpa (Divisão de Psicologia aplicada))).

Preconceito

Topei com muitos preconceitos ao longo do  meu tratamento. Cheguei ao Ipub em julho de 2005.

Quando estava depressivo, meus familiares achavam que eu estava fazendo corpo mole, que era frescura.

Quando eu não tomava banho, nem escovava os dentes, achavam que eu era porco.

Quando me trancava no quarto e não queria ver ninguém, achavam que eu era antissocial.

Quando eu melhorava e buscava ajuda psicológica, alguns familiares achavam que eu era maluco.

Estes dias vi um artigo no Jornal O Fluminense ( domingo - 2/4/17) informando que a depressão atinge cerca de 350 milhões de pessoas no mundo (Organização Mundial de Saúde (OMS)).

É fundamental o apoio de familiares e amigos.

Casos + graves podem levar ao suicídio.

É a segunda causa de morte de jovens entre 15 e 29 anos.

O jornal Destak (6a feira - 31/3/17) informou que os casos de depressão aumentaram quase 20% na última década.

Segundo o estudo da OMS, a depressão é a maior causa de problemas de saúde e invalidez do mundo.

A depressão é o meu carro chefe. Procuro buscar antídoto logo que detecto que ela está se instalando.

Meus antídotos são: caminhar, ouvir música, ir ao Hospital Dia, navegar na internet da biblioteca do Ipub, ir ao cinema, escrever (caderno, blog),  conversar com outros bipolares do Cipe Antigo, participar de alguma oficina que gosto do Hospital Dia: (informática da voz dos usuários, musicoterapia, palavrear, roda de conversa, reunião de acompanhamento do grupo, ...) .

Meu médico falou que algumas depressões não tem cura. (A minha não tem ainda).

Equipe multidisciplinar no cuidado ao paciente

Para o meu tratamento é muito importante a contribuição do psiquiatra, da psicóloga, da nutricionista, das oficinas do Hospital Dia.

O meu médico atual me ouve com atenção, tira as minhas dúvidas, me orienta, me ensina, aceita os meus argumentos, me explica (passo a passo) o rumo do tratamento, os próximos passos.

Me trata como um ser humano.

É muito importante para mim.

A maior parte dos meus medicamentos eu pego na farmácia do Ipub. A lamotrigina 100 mg tem que ser comprada nas farmácias particulares. Preciso de duas caixas de 30 comprimidos, por mês, que custa cerca de cem reais (genérico).

A psicóloga me ouve, às vezes faz perguntas desafiadoras. È uma parceira neste processo de busca de uma saúde mental melhor.

A nutricionista me mostra como consumir alimentos mais saudáveis.

As oficinas são ótimas: acompanhamento do grupo, informática, musicoterapia, escrita, palavrear, arautos do mundo, reuniões da voz dos usuários, são as que gosto mais.

Atualmente estou frequentando o Hospital Dia duas vezes por semana. Moro em Niterói e o meu passe intermunicipal dá direito a 10 viagens.

Gostaria de ir mais vezes ao Hospital Dia.

Vivência 1 - Episódio depressivo

Tomo a medicação na dose prescrita, na hora definida, (desde 2005). Faço terapia na Dpa (Divisão de Psicologia Aplicada) na Ufrj desde 2010.

Na semana (de 22/03/17 (4a feira) a 26/3/17 (domingo) tive sinais claros de episódio depressivo. (Desânimo, vontade de morrer).

Moro só. Sou, ao mesmo tempo, paciente e cuidador de mim.

Fui ao Ipub, conversei com meu médico. Ele aumentou a dose da Lamotrigina 100 mg. Sei que leva alguns dias para a nova dose fazer efeito.

Para dificultar as coisas, a minha terapeuta da Dpa, vai faltar duas semanas.

Compartilhei a minha situação na oficina de grupo, do Hospital Dia do Ipub. A psicóloga disse que não está disponível para uma sessão comigo.

Estou indo mais vezes ao Hospital Dia, para preencher mais o meu tempo livre.

Tenho navegado na internet da biblioteca do Ipub.

O fato é que sou instável, com forte tendência para episódios depressivos. Tenho buscado apoio na equipe (médico, psicóloga) e oficinas do Hospital Dia. É muito importante perceber que posso contar com a ajuda destas pessoas.

Em 11/04/17 (3a feira) o resultado do teor de Lítio no sangue foi muito adequado. O meu médico manteve a dosagem da medicação.

No dia 22/04 acordei muito desanimado. Em 25/04, o meu médico informou que não há como saber se o desânimo é parte do episódio de 22/03 ou se é um novo ciclo depressivo. Ele disse que tenho um ciclo rápido.

Estou aprendendo a viver um dia de cada vez.

É frustrante tomar a medicação, fazer a terapia e acordar desanimado e com vontade de morrer.

Me perturba saber que esta doença não tem cura. Me incomoda saber que cada dia será uma batalha e no final perderei a guerra. (Mesmo fazendo o meu melhor).

Viver é desafiador. É aprender sempre. É me superar.
Viver é aceitar as coisas que não posso modificar.

Viver é me adaptar e prosseguir no meu caminho.

Quero agradecer toda a ajuda que tenho recebido do Ipub, da Dpa, do Hospital Dia e de todas as pessoas que se interessam, são solidárias e também me ajudam.

Educação

A Coreia do Sul investiu pesado em educação. O Brasil vai cortar 30% da verba de custeio das universidades federais, que comoção. A...