Fase 1 (março de 2002 a fevereiro de 2018): Dificuldade da psiquiatra definir se eu estava com depressão ou se era transtorno bipolar de humor. Ela levou aproximadamente seis meses para decidir pelo transtorno.
Não aceitei o diagnóstico de "Não ter cura". Tive três crises. Eu estava me sentindo bem, achei que estava bom e parei de tomar os remédios. Após algum tempo fiquei depressivo.
Primeiro senti tristeza e depois tive uma melancolia.
Numa escala de 0 a 10, a tristeza vale 3 (É um terço do poço). A melancolia vale 10. (É o fundo do poço).
A depressão mata. Depois de instalada é muito difícil reverter.
A quarta crise ocorreu quando a psiquiatra trocou a minha medicação tirou uma e colocou quatro. Eu fiquei péssimo. Não andava, (me arrastava). Eu perdi a noção de profundidade, meu raciocínio ficou muito lento, perdi minha energia. Eu virei um robô sem energia.
A partir de novembro de 2017 a minha medicação foi modificada, e começou a fazer efeito. Foram feitos alguns ajustes e em setembro de 2018, o psiquiatra disse que estou com o transtorno controlado. A meu pedido ele passou uma medicação para eu dormir. Com poucos ajustes a medicação surtiu o efeito desejado. As minhas consultas começaram a ficar mais espaçadas.
As 4 crises estão ligadas à medicação (3 porque parei, 1 por mudança de medicação).
Nesta fase eu me achava credor do Mundo. Eu achava que os outros eram responsáveis pela minha recuperação e pelo meu bem-estar. Eu plantava espinhos e queria colher maçãs.
Eu não me sentia responsável pelo meu tratamento. Eu fazia terapia mas não chamava p/ mim a responsabilidade. Eu achava que iria melhorar num passe de mágica.
A partir de dezembro de 2017 a minha família atual (minha irmã, meu filho e a mãe do meu filho) se aproximou de mim para me ajudar na recuperação da cirurgia feita em novembro de 2017 (p/ retirada de um coágulo no cérebro).
Fase 2 (A partir de março de 2018): Medicação com pequenos ajustes. Acredito que eu e o mundo somos parceiros. Sou responsável (pelo controle do transtorno, pela minha melhora, meu bem-estar, pela semeadura (é livre mas a colheita é obrigatória)).
A partir de 16/abril/2018 fui ao Neurologista. Ele substituiu dois medicamentos por um outro e meus tremores diminuiram muito. Ele me liberou p/ fazer caminhadas próximas à Clínica de Repouso, aproximadamente 2 meses depois ele autorizou eu usar transporte público 2 X por semana, mais ou menos em um mês fui autorizado a usar o transporte público 3 X por semana.
Participo de oficinas do Hospital Dia do Ipub.
Faço consultas com frequência com o médico do Cipe (centro integrado de pesquisa) antigo do Ipub, faço exames de sangue periódicos, para acompanhar o teor de Lítio no sangue, e a uréia e creatinina no sangue.
Faço terapia na Dpa (divisão de psicologia aplicada da Ufrj) 2 X por semana.
Participo de rodas de conversa da "A voz dos usuários", (falo sobre minha experiência no tratamento do transtorno bipolar).
Essas rodas de conversa são p/ a área de saúde (acadêmicos ou profissionais).
Escrevo textos para este blog, faço revisão dos textos.
Participo das oficinas (musicoterapia, voz dos usuários, acompanhamento do grupo).
Quero participar do projeto "Academia do Cérebro". Que visa a: (ficar mais independente, manter a atenção por mais tempo, melhorar a atenção, ...). Já entrei numa lista de espera. (A previsão é participar no ano de 2019).
A vida agora está mais leve, mais saborosa, mais interessante.
Estou mais maduro. Desenvolvi habilidades para lidar com o transtorno. Hoje o vejo como um mestre e, como bom discípulo, procuro aprender as lições.
Aprendi que não tem cura, mas posso ficar controlado e ter uma ótima qualidade de vida.